Acepipes #03
Nossa curadoria de notícias e projetos, com informações que te ajudam a crescer na Creator Economy. Hoje, nossa bandeja serve uma reflexão urgente sobre o “Tecnoceno”: como a conversão da vida digital em meio ambiente está transformando nossas conexões e por que o descanso virou a maior força criativa do agora. A sua newsletter de quinta-feira chega com aquele café fresquinho da tarde para aquecer o coração e despertar as emoções.
5 min de leitura | Por Elaine Leme
O amanhã das conexões humanas e o cansaço do “cronicamente online”
Se a conexão digital virou o ecossistema em que habitamos, a verdade é que estamos passando tempo demais submersos. Dados recentes do estudo Futuro das Conexões Humanas acendem um alerta vermelho para criadores, marcas e agências: os brasileiros passam, em média, 9 horas e 13 minutos por dia em frente às telas. Somos a segunda nação com maior tempo de tela no mundo.
Essa aceleração constante e a cultura da performance redefiniram como vivemos, dividindo a atenção até nos rituais mais analógicos e afetando todas as idades, da infância à velhice. O resultado? 56% das pessoas já enxergam problemas no próprio uso do celular e 66% afirmam que, embora a tecnologia facilite a vida, ela gera um esgotamento profundo.
Essa aceleração constante e a cultura da performance redefiniram como vivemos. A nossa atenção foi fragmentada até nos rituais mais analógicos e afetando todas as idades, da infância à velhice.
“A mente não descansa mais; mesmo ‘offline’, o excesso de estímulos cobra seu preço na nossa capacidade de concentração e elaboração cognitiva.”
— Cristiano Nabuco, psicólogo pioneiro nos estudos sobre dependência tecnológica no Brasil.
Na Brunch, acreditamos que a inovação e a criatividade de verdade nascem do descanso, do cuidado e da consistência. Diante de um mercado barulhento e mentalmente exausto, criar com responsabilidade ética exige, antes de tudo, preservar o fator humano.
01. Manchete
Brunch no Cannes Lions
Pelo segundo ano consecutivo, a Brunch decola rumo ao Cannes Lions. Fomos selecionadas para integrar a comitiva do CreativeSP, programa que impulsiona as mentes brilhantes da indústria criativa paulista.
A Brunch está pronta para absorver as maiores tendências globais e conectar nossas agências parceiras, marcas e criadores ao que há de mais inovador em networking e aprendizado. O mercado mudou, e nós vamos te contar de perto como navegar nesse amanhã.
02. Curadoria
Insights do Rio2C
O Rio2C coloca a indústria audiovisual e os novos formatos no centro dos debates em sua edição, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. O evento traz provocações urgentes sobre as transformações na criação e no consumo de conteúdo em um cenário de mercado marcado pela “atenção fragmentada”. Entre os momentos especiais, separamos algumas falas de palestrantes que passaram por lá no primeiro e no segundo dia.
“Lembro muito de uma conversa com o meu mestre e diretor de fotografia, Walter Carvalho. Ele me dizia que o mais interessante hoje não é mais a narrativa, mas sim a linguagem. Para mim, é exatamente isso. Investigar a linguagem e encontrar a forma de fugir do que está todo mundo fazendo. Isso, sim, é o mais interessante.”
— Batman Zavareze, curador, artista visual, designer e provocador artístico por trás de grandes produções brasileiras.
“A gente está aqui para se conectar com as pessoas. A gente fala, a gente escuta. A coisa mais maravilhosa é o encontro: as pessoas se reunirem de verdade para assistir aos shows.”
— Sarah Oliveira, apresentadora e comunicadora.
“Abordar um parceiro é, antes de tudo, entender o que você precisa daquela pessoa e como essa relação pode evoluir. Não subestime e não julgue o seu parceiro. Tente, de fato, ser um parceiro presente e encontrar as coisas simples que o façam feliz. A melhor maneira de construir um relacionamento saudável no mercado é através do diálogo aberto.”
Tony Archibong, diretor de parcerias do YouTube.
“Existe uma questão de você se tornar uma pessoa seletiva nas redes sociais. Precisa acreditar em tudo? Eu sou formada em comunicação e, nas poucas aulas de jornalismo que tive até o terceiro período, o que mais se falava era sobre apuração e o quanto o bom profissional é aquele que apura. Hoje em dia, todo mundo é jornalista. As pessoas inventam uma matéria que, na verdade, é só um quadrado com uma foto, um contexto e duas frases. Aquilo não é uma matéria, mas circula e vira verdade. As pessoas não querem se aprofundar; elas só querem saber do título. O lead virou a matéria completa.”
— Iza, cantora e compositora.
“Quando você fecha um contrato com grandes marcas e entra na fase de negociação e execução, o nosso papel como prestador de serviço é descomoditizar o negócio — e, para mim, isso passa muito pelo uso estratégico dos dados. Esse dado precisa estar posicionado acima das plataformas, porque é ele que te permite orquestrar toda a operação, experimentar e orientar a tomada de decisão. E vale lembrar: não estamos falando apenas de dado de campanha. É também monitorar se aquele criador deu ‘dor de cabeça’ ou não, se topou refação, se cobrou por adicional ou se bonificou por conta própria. Tudo isso retroalimenta o processo.”
— Rapha Pinho, Founder e CEO da Spark.
“A grande questão é como a singeleza do que há de único em cada um de nós é capaz de criar um sistema coordenado e harmônico. São vozes diferentes, talvez até dissonantes, mas a soma não tem o objetivo de uniformizar. Dentro de um sistema, a coordenação é complexa justamente porque não podemos apagar as individualidades. É necessário haver uma liderança que extraia o melhor que há em cada um. Longe da ideia de que sejamos todos iguais ou de que a gente se comporte da mesma forma, o objetivo é encontrar fórmulas de equilíbrio para gerenciar o caos, a criatividade, a pressão, os egos e os talentos. É assim que cada um é exaltado na sua própria essência, porém em perfeito equilíbrio.”
— Ana Flávia Cabral, CEO e Vice-Presidente da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira.
Mas para que essas conexões permaneçam saudáveis, a sustentabilidade emocional precisa ser tratada como pilar de inovação. O esgotamento de criadores e a sobrecarga dos profissionais de agências deixaram de ser um problema de bastidores e viraram um desafio crítico de negócios. O amanhã do ecossistema exige que as marcas parem de olhar para a Creator Economy apenas como um plano de mídia focado em números. Proteger a saúde mental é uma estratégia de longo prazo para garantir negócios sustentáveis.
03. Na Mídia
A nossa cofundadora, Ana Paula Passarelli, assina um artigo de opinião indispensável na Fast Company Brasil pautando um dos debates mais complexos, urgentes e estruturais da nossa maturidade de mercado: a regulação do trabalho de criadores mirins. Com a entrada em vigor do ECA Digital, o setor é provocado a sair do modo operacional para encarar de frente a responsabilidade jurídica, ética e social da influência.
Para nós, a regulação é urgente, necessária e não limitante das boas práticas. Como defensores ativos de políticas públicas no setor, convidamos você a ler essa análise profunda sobre a proteção da infância na era dos algoritmos.
[Leia o artigo completo na Fast Company. Boa leitura →]
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Na coluna do Guilherme Ravache no Valor Econômico, Ana Paula Passarelli, cofundadora e diretora de negócios da Brunch, analisa como a cobertura desses grandes marcos exige entender a pulverização da mídia e dos novos formatos narrativos.
Passa destaca que as empresas finalmente compreenderam que existe uma descentralização na forma como se “conta” uma Copa do Mundo. Um fenômeno que transforma a dinâmica tradicional de patrocínio e abre caminhos inéditos para o mercado. Leia a matéria aqui.
04. Saideira
Para ler antes de fechar a aba
Na obra, escrita pelo jornalista Ygor Kassab, as Avós da Razão falam sobre tudo sem censura, revelam o motivo pelo qual não gostam de serem chamadas de “idosas”, que velhos fazem sexo – e continua sendo prazeroso – e apontam que envelhecer não significa que se sabe tudo, mas que é necessário manter a mente aberta e continuar aprendendo sempre. Enquanto muitos consideram que envelhecer é sinônimo de perdas e limitações, as Avós mostram que é preciso mudar o olhar negativo e preconceituoso sobre esse momento da vida.
O que você achou desta edição?
Nossa mesa de brunch está aberta para o debate. Deixe seu comentário analisando o impacto do tempo de tela na sua rotina criativa. A sua reflexão pode ilustrar nossa próxima bandeja na quinta-feira que vem!








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