O que Cannes Lions tem para oferecer à Creator Economy?
E por que a Brunch está de olho no que está acontecendo na Riviera Francesa?
Se há um termômetro inquestionável para medir quando o mercado publicitário tradicional deixa de tratar uma tendência como um mero apêndice e passa a encará-la como parte real dos negócios, esse termômetro é o Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions. Historicamente conhecido por ser o templo da publicidade tradicional e das grandes redes de agências, o festival vem desde 2023 abrindo espaço na sua agenda para participação ativa do ecossistema da creator economy. Começou com o pass especial para agências e creators, um rooftop com agenda paralela e, este ano, promete colocar a creator economy no centro do debate.
O ruído sobre o valor da influência parece estar dando lugar a debates sobre propriedade intelectual na agenda deste ano, além da retenção de comunidades e a maturidade da precificação e das boas práticas comerciais. Pra nós, não se trata mais de discutir se os criadores devem ou não ocupar espaço na Riviera, mas sim de decodificar como eles estão reconfigurando as linhas de receita e as estratégias das maiores marcas globais até os pequenos anunciantes.
O reconhecimento dessa disciplina vem de encontro com a nossa própria jornada corporativa. A Brunch foi selecionada, pela segunda vez, para integrar a comitiva do CreativeSP em Cannes, o prestigiado programa de internacionalização da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, em parceria com a InvestSP. Essa escolha é uma reafirmação sobre a nossa excelência técnica, do nosso modelo de negócios e o nosso olhar analítico sobre a economia da influência estão na fronteira do mercado.
Estar na comitiva oficial do estado significa que a nossa tese é o tipo de padrão que o Brasil exporta como inovação para a maior arena de criatividade do mundo.
Nossa atuação sempre aponta para um estrutura coletiva onde o ecossistema se fortalece quando anunciante, agências, plataformas e creators se debruçam juntos sobre o desafio de comunicação. Mas em meio aos aplausos e rosés, uma questão levantada ano passado em uma conversa que tive com o Bruno Tozzoni do B9, persiste no silêncio dos bastidores: a ausência dos criadores nas fichas técnicas dos cases concorrentes aos Leões.
Embora o festival celebre as campanhas que dominaram a cultura popular através da co-criação com influenciadores, na hora de registrar a autoria dos projetos que sobem ao palco, os nomes dos criadores são frequentemente omitidos, restando os créditos exclusivamente às agências tradicionais.
Se um criador atua como roteirista, diretor, produtor e distribuidor de uma narrativa que gerou milhões em faturamento para uma marca, a sua ausência na ficha técnica oficial não é apenas uma falha burocrática, mas uma invisibilização de sua propriedade intelectual.
E é possível. Ano passado tivemos um case ganhando Leão de Ouro com o Jovem Nerd assinando o roteiro. Se Cannes Lions realmente deseja consolidar a maturidade desse ecossistema, o reconhecimento formal dos criadores nas fichas técnicas dos cases premiados precisa ser prioridade porque estamos, no fim do dia, falando sobre criatividade humana que tem nome e sobrenome.
Por isso, respondendo a pergunta no início do texto “por que a Brunch está de olho no que está acontecendo na Riviera Francesa?”, porque queremos entender até que ponto a celebração da Creator Economy nos palcos principais de Cannes é real ou apenas um verniz de modernidade para atrair novos orçamentos, sem atualizar frameworks, métricas e, sem dúvida, as fichas técnicas.
Vai para Cannes? Vem para o grupo da Creator Economy no Whatsapp, que é o grupo mais animado da Riviera. Só responder essa news com seu número de telefone que te adicionamos lá.
DICA: A Bia Granja fez um planilhão focado em creators dos painéis que vão rolar em Cannes este ano. Vale a pena manter o nome dos participantes no radar e acompanhar o que essa turma tem feito globalmente.


