Por que os EUA proibiram criadores estrangeiros de fazer publi em solo americano?
Calma que ninguém será preso - se fizer tudo direito.
O governo americano acendeu um holofote para o debate regulatório da creator economy essa semana. Em nota divulgada pelo El Pais, ele indica que criar conteúdo monetizado ou comercial em território norte americano usando o visto de turista (B-2) é ilegal. A notícia está causando um burburinho compreensível na comunidade de criadores, mas, antes de entrar em pânico, deixa eu te explicar como você pode seguir fazendo seus trabalhos legalmente.
A prerrogativa do governo é válida: se criar conteúdo é um trabalho, ele precisa ser feito de maneira legal tanto do ponto de vista tributário quanto jurídico. O caos em torno do publi dos influenciadores se dá porque se eles estariam indo para o país fazer publicidade de algum anunciante americano e sendo assim, remunerado por ele, há - de acordo com as leis do país - a necessidade do visto de trabalho.
Muitos portais e especialistas estão apontando o visto O-1 (aquele para pessoas extraordinárias) como a grande salvação para quem deseja produzir conteúdo fora, mas ele não se aplica de maneira integral ou realista para a maior parte dos profissionais que planejam fazer coberturas ou gerar negócios pontuais no exterior, além de exigir uma série de requisitos que nem o mais belo alecrim dourado da creator economy estrangeira pode conseguir.
Já os vistos de trabalho exigem rigidamente que o processo seja patrocinado por uma empresa ou agente baseado em solo americano, o que inviabiliza soluções autônomas para viagens de curto prazo.
Então cabo meu job com a Copa?
Não. O visto B-1, focado em negócios, foi desenhado exatamente para permitir atividades corporativas legítimas, como a participação em eventos, conferências, feiras, reuniões com clientes - a famosa viagem a trabalho. Para os criadores que viajam com o objetivo de prospectar marcas, participar de painéis, cobrir tendências ou produzir conteúdos institucionais cuja remuneração e modelo de monetização estejam estritamente atrelados ao seu próprio negócio no Brasil - SEM RECEBER PAGAMENTO DE EMPRESAS BASEADAS NOS EUA - o B-1 oferece a segurança necessária para todas as partes.
Mas se ainda assim você tiver um trabalho com alguma empresa americana, as agências são os melhores parceiros para esse processo de internacionalização, isso porque elas tem a possibilidade de atuar como interveniente e são corresponsáveis pelo trabalho executado. Isso é o reflexo de um ecossistema que vem amadurecendo e que agora é visto pelas autoridades globais pelo que ele realmente é: uma ATIVIDADE ECONÔMICA.
Agora abre seu passaporte aí: você já tem o visto B-1? Se tiver, pode seguir sua viagem em paz. Mas recomendamos fortemente que leve toda a famigerada papelada de contratos, trocas de email, OS e o que mais for necessário para provar que o conteúdo que você está indo fazer é para o seu negócio no Brasil, com contratante brasileiro.


